
Enquanto o povo sua para pagar imposto e a cidade clama por ações concretas, a Câmara Municipal de São Luís parece ter adotado o modo soneca como regime oficial de trabalho. Isso porque, pasme, o presidente da Casa, vereador Paulo Victor (PSB), resolveu decretar ponto facultativo em dois dias consecutivos, 16 e 17 de abril, mesmo após uma sequência de sessões simplesmente inexistentes. A pergunta que ecoa pelos corredores da política local é: descansar de quê?
A justificativa? “Questões administrativas internas”, disse Paulo Victor, com aquele discurso protocolar que ninguém mais leva a sério. O expediente, então, será suspenso em plena quarta e quinta-feira, emendando até a terça-feira seguinte (22). Um verdadeiro “feriadão oficial”, turbinado por enforcamentos institucionais dignos de novela.
E olha que nem é só o povo que anda indignado. Como bem disse o vereador Douglas Pinto, a Câmara vive um período tenebroso de transparência — e não é só no sentido figurado. Porque enquanto se decreta ponto facultativo, falta o básico: papel higiênico, sabão e café nos banheiros e salas da Casa. Quem precisa lavar o rosto ou usar o sanitário por lá, que leve de casa, porque, por ali, nem isso é garantido.
Talvez, com esse tempo “livre”, a gestão finalmente consiga providenciar o essencial. Quem sabe até uma licitação relâmpago apareça para comprar sabão, papel e respeito pelo cidadão. Seria um avanço digno de manchete.
Enquanto isso, seguimos assistindo ao teatro da política, com cortina fechada, plateia vazia e elenco de folga. O povo? Continua esperando — e pagando a conta.
